A dificuldade diante de uma folha em branco…

Comecei a ler “A alegria em ficar de fora: Como se desconectar do mundo digital e se reconectar com você, as pessoas e a natureza” de André Carvalhal, e me surpreendi com o início caótico do livro.

Carvalhal começa narrando que teve uma ideia para escrever um novo livro e a partir do celular, passa a digitar o texto. O que mais chama atenção é o caos que ele descreve. Pensamentos, mensagens de e-mail, embarque no aeroporto, mil checagens no Instagram, mensagens no celular, mil coisas acontecendo ao mesmo tempo! A cada tentativa de criar, uma divagação completamente aleatória e que não tem qualquer relação com o que ele estava pensando e escrevendo anteriormente.

Se eu fosse descrever exatamente como escrevi o parágrafo acima, iria ser no mesmo tom caótico do livro de Carvalhal. Já abri e fechei o Whatsapp várias vezes para checar as notificações, mesma coisa para o Instagram, um carro de som que passou aqui perto já me distraiu com propaganda política, entrei no site do Amazon para ver o preço de cápsulas de café e perdi mais de 30 minutos olhando produtos que não preciso. Volto para o texto, mas não consigo me prender a ele.

O FOMO descrito logo no começo do livro, fear of missing out, tem sido um problema constante em minha vida. O medo de perder algo caso fique offline. Parece ser simples, apenas deslogar das redes sociais, então por qual motivo não consigo fazer o logout?

Vivemos em uma época de super estímulo, inclusive, acabei de abrir o Instagram e perdi 10 minutos rolando o feed sem qualquer motivo… Rolar o feed significa receber pequenas doses de dopamina, e isso está basicamente controlando cada aspecto de nossas vidas. (Parei o texto várias vezes tanto para fazer outras atividades, quanto para rolar o feed)

Escrever, em uma folha em branco, é algo difícil. Lógico que algumas pessoas têm mais facilidades do que outras… Amo escrever, mas com certeza, não sou uma pessoa que faz isso com facilidade. Todavia, além da leitura, a escrita é algo que me traz muita felicidade e prazer e, no começo desse ano, percebi o quanto estava perdendo e me dissociando desse skill. O fato de usar inteligências artificiais generativas para escrever ou, jogar os meus textos para serem corrigidos por IA tem atrapalhado muito a minha escrita. Por isso, se esse texto é confuso e não está gramaticalmente correto, é porque ele não foi criado por IA.

Quantas outras coisas as redes sociais e a inteligência artificial têm tirado de nós? No clube do livro do ciclo de Setembro/2026 e Outubro/2026, trago duas sugestões de leitura:

  1. A alegria em ficar de fora: “Como se desconectar do mundo digital e se reconectar com você, as pessoas e a natureza” (Carvalhal, André; Editora Nova Fronteira Participações S.A.; 2025)
  2. A Máquina do Caos (Fisher, Mark; Editora Todavia; 2023)

O primeiro promete nos ensinar a lidar com as redes sociais, e com a loucura do mundo conectado atual, contrapondo o FOMO (Fear Of Missing Out) com o JOMO (Joy Of Missing Out). É um livro para ser lido com calma e se esforçando para aplicar na prática, as ideias propostas.

O segundo mostra o que há por trás das redes sociais. Eu passei a entender melhor, com as redes sociais passaram a moldar nossas vidas e nossas escolhas como sociedade, a partir desse livro. Inclusive, recomendo fortemente esse livro agora para o período eleitoral que vamos atravessar no mês de outubro. Por que dois livros? A alegria em ficar de fora é um livro que deve ser lido, e extensivamente grifado. A máquina do caos é um livro maravilhoso para ser ouvido. Sim, o audiolivro dele que está no Amazon Audible é fantástico.